Desenvolver e preservar a Amazônia

No dia 15 de setembro, dirigentes dos Senges na região apresentaram aos participantes do VI Conse a proposta "Cresce Brasil: Desenvolvimento sustentável da Amazônia". O primeiro a abordar o tema foi Sebastião Fonseca, presidente do Sindicato dos Engenheiros no Acre. Ele destacou que o tipo de desenvolvimento desejado para a Amazônia deve levar em conta a conservação do meio ambiente, mas não a impedir de "crescer junto com o Brasil". E alertou: "O País precisa manter sua soberania para uso adequado da região." Para Fonseca, o modelo factível geraria riqueza à Nação e respeitaria a natureza. Na sua ótica, a Amazônia precisa produzir e ser ocupada por cidadãos brasileiros. Conforme sua preleção, a floresta deserta abre espaço a qualquer tipo de pirataria. "São ações que se somam para deixar o Brasil mais pobre."

Vice-presidente do Senge-PA, Ricardo José Lopes Batista, apontou a importância de se ter um projeto de desenvolvimento sustentável que considere a visão do amazônida. A região vive um processo de degradação há 30 anos, o qual vai na contramão dessa proposta, informou ele. Além disso, sofre com a biopirataria e a garimpagem. O local constitui-se em grande reserva de minério, contudo, como exemplificou Batista, essa não gera valor agregado ao seu desenvolvimento. A diversidade da Amazônia lhe confere grande potencial para tanto, mas padece com a falta de tecnologia, lembrou ele. Projeto que vise o uso adequado da região, portanto, deve levar em conta essa necessidade.

 

Americanização em curso

Problema sério que exige atenção é a tentativa de sua internacionalização. "Preocupa que a elite brasileira emite pareceres sem considerar a realidade local. Se não a conhecermos, estaremos aprendendo o hino nacional dos EUA. Estamos a falar inglês em Manaus e a preparar nossos filhos e netos para serem americanos. Quando suas tropas entrarem, serão ovacionadas e não combatidas", avisou Marcílio Vital de Paula, presidente do Senge-AM. Na sua opinião, para enfrentar isso, é preciso levar em conta a situação social da maioria da população amazônida e mapear, através de pesquisas integradas feitas por órgãos nacionais o que se deve fazer a curto, médio e longo prazo.