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O professor do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marco Aurélio Cabral Pinto, na palestra Cresce Brasil: Ciência e Tecnologia, no terceiro dia Congresso Nacional dos Engenheiros, chamou a atenção dos participantes do evento para uma nova revolução tecnológica que se avizinha, a digital e de biotecnologia. "O Brasil precisa se preparar para esse novo padrão de industrialização, que passará da transformação de bens imateriais inanimados para a transformação de bens vivos", observou.
O país precisará gerenciar novas posturas, como a de mapear as aplicações tecnológicas potenciais e as competências-chave da tecnologia digital e biotecnológica . Para isso, deverá investir em ciência, pesquisa, produção, e não deixar que o Brasil continue sendo o "paraíso" dos interesses financeiros. Cabral Pinto conclamou, nesse sentido, a engenharia a não se limitar às gerências de linha, mas se incluir nos marcos das decisões. "Precisamos resgatar a ocupação das funções de engenharia, de produção. Lutar para a sobrevivência intelectual."
Um país inventado e reinventado
O professor da UFF explicou que em ciência e tecnologia precisa-se ter diferenciação clara entre os conceitos invenção, descoberta e inovação. A invenção pressupõe inventividade humana e construção social e a inovação é a aplicação de conceitos históricos. "A visão que temos de nós mesmos é o da descoberta, que somos um país descoberto (pelos portugueses). O Brasil não foi descoberto. Ele é inventado e reinventado todos os dias."
"Dentro do conceito da inovação precisamos fazer com que o Brasil tenha sua inserção internacional sem subserviência, mas ativa e auto-determinada ". É nesse sentido que o País terá uma perspectiva de desenvolvimento civilizacional justo.
"Ao longo da história brasileira, como o próprio professor Sérgio Buarque de Holanda já havia constatado, vimos os ciclos da nossa economia como milagres. Foi assim com o ciclo da cana-de-açúcar, do ouro e do café. A cada esgotamento desses ciclos, uma crise. Até por uma postura das nossas elites, que sempre entenderam a economia como um fim para elas mesmas, sem a perspectiva do desenvolvimento social e constante", ensinou.
O professor fez um diagnóstico negativo das posturas que o Estado vem tomando na organização da economia ao longo dos anos, como, por exemplo, a entrega do mercado interno para o capital internacional sem contrapartida nenhuma. "Nenhum país fez isso".
Cabral Pinto terminou a palestra com um mea culpa. "Não podemos deixar o país nas mãos do capital financeiro. Tenho 41 anos de idade e tenho de confessar que trabalhei para o capital financeiro. Hoje estou na universidade lutando pela sobrevivência intelectual e produtiva do nosso País."

O terceiro dia do VI Congresso Nacional dos Engenheiros foi iniciado com uma saudação do ex-deputado federal e hoje candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio. "Há muito tempo não leio um texto com o qual concorde tanto", afirmou, referindo-se ao Manifesto Cresce Brasil + Desenvolvimento + Engenharia " . E prosseguiu: "Fazia tempo que a gente não ouvia essa palavra de coragem, de pôr as coisas no lugar."
O ex-deputado, que também foi conselheiro da FAO das Nações Unidas, defendeu o Estado como o organizador do desenvolvimento e crescimento e repartidor das riquezas geradas. "O Estado não pode ser mínimo nunca." Ele defende, ainda, que o projeto nacional está profundamente ligado à engenharia, porque temos um país a ser construído. "E engenharia é isso, é construção."
O candidato ao governo de São Paulo também criticou o que ele considera uma relação de vassalagem entre o Brasil e o FMI (Fundo Monetário Internacional). "Hoje não temos mais acordo formal, é acordo servil mesmo. O risco do Brasil não é o brasileiro, é desviarmos 70% dos nossos recursos para a dívida interna, é o PCC."
Plínio de Arruda Sampaio encerrou sua participação manifestando seu total apoio às atividades do VI Conse e ao Projeto Cresce Brasil, "É um privilégio estar aqui."

Homenageado na manhã do dia 15 de setembro no VI Conse (Congresso Nacional dos Engenheiros), o engenheiro e físico que coordenou a criação do Proalcool (Programa Nacional do Álcool), José Walter Bautista Vidal, ressaltou o papel decisivo do País na construção da matriz mundial de energias renováveis e limpas. "Temos que assumir isso como um projeto nacional", salientou. Para ele, diante do colapso iminente dos combustíveis fosséis , o Brasil está predestinado a ser a grande potência energética do futuro. Todavia, ponderou: "Será impossível sem os engenheiros, que têm tudo a ver com isso."
De modo a desenvolver esse projeto, é fundamental "assumir o comando das nossas finanças, criar uma nação soberana e digna". Bautista Vidal lembrou que até o presidente dos Estados Unidos, George Bush, reconheceu que a melhor perspectiva energética mundial é a brasileira. "Fez isso para empurrar as empresas americanas a ocuparem nosso território, mediante avalanche de compras de terras e usinas. Adquiriram recentemente 160 mil hectares na Amazônia. Não podemos permitir que isso continue. Essa terra é nossa. O gérmen do desenvolvimento tem que ser endógeno, não podemos abrir mão de ser donos do nosso país. "
Na visão do especialista, o Brasil seria a grande esperança de paz em âmbito global, num tempo em que se incrementam as guerras por petróleo, estimuladas face a sua finitude . "Projeto alvissareiro" - como o sugerido por ele - resultaria ainda, na sua concepção, em prosperidade, riqueza e, conseqüentemente, emprego e renda à população nacional. " Estamos formando engenheiros sem trabalho. É um crime contra as gerações que vão nos suceder, vão receber um país dilacerado. Vamos nos organizar e criar instrumentos para construir um projeto consistente, baseado nas nossas vantagens excepcionais ."