A universalização das comunicações
esbarra na questão social brasileira

A quinta palestra do Congresso Nacional dos Engenheiros, coordenada pelo presidente do Sindicato dos Engenheiros do Amazonas, Marcílio Vital de Paula, foi a apresentação do trabalho do professor Marcos Dantas sobre Comunicações. Ele diagnosticou que o Brasil está num processo de retrocesso nos campos da eletrônica e das telecomunicações, mas ao mesmo está discutindo uma tecnologia de ponta que é a TV Digital. "Hoje temos de reconstruir um modelo para frente a partir do que temos. Há 10 anos tínhamos uma indústria de telecomunicações, agora estamos num retrocesso".

Dantas ressaltou a importância da engenharia nessas discussões, inclusive quanto à geração de conteúdo. "Tanto é que durante os estudos para desenvolvimento do sistema brasileiro não apareceram as áreas de comunicação ou educação das universidades, mas as engenharias ".

Em uma hora de palestra, o professor resumiu o estudo apresentado à FNE (Federação Nacional dos Engenheiros), que dispõe sobre a necessidade de convergência tecnológica e empresarial na área das telecomunicações; a universalização das comunicações a partir da melhor distribuição de renda; a manutenção do regime público das comunicações; a inclusão digital e social; a expansão da banda larga para os serviços e escolas públicos.

Ponto fundamental, afirmou ele, será levar em consideração a questão social. Quase metade das residências brasileiras não possui linhas telefônicas fixas. A rede de cabo passa pela porta de quase 20% dos domicílios, não atingindo nem 300 municípios do País.