Antropólogo aponta
ferramentas capazes de
transformar idéias em ação

O trabalho dos engenheiros envolvidos com o projeto "Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento" não termina com a conclusão do manifesto que reúne suas propostas, tampouco com a simples entrega do documento aos candidatos a presidente e a governadores. Essa foi a ponderação feita pelo antropólogo e consultor de empresas Luiz Almeida Marins Filho, em sua palestra intitulada "E eu com tudo isso?". Realizada no dia 14 de setembro durante o VI Conse (Congresso Nacional dos Engenheiros), visou mostrar que é preciso agora transformar as idéias oriundas desse processo em ação. "Um dos instrumentos que o ser humano tem para isso é a vontade de fazer", disse Marins. Conforme ele, a inteligência também é elemento importante - resume-se a perceber quais ações são essenciais e separá-las das demais.

 

Caçando emus

Tendo feito seu doutorado na Austrália junto aos aborígenes , Marins relatou sua experiência junto a essa população para mostrar aos congressistas a importância de definir um foco de atuação e segui-lo. Ele contou que, como povo primitivo, na noite anterior a uma caçada, o aborígene local promovia uma dança em que simulava a ação a ser feita no dia seguinte. Então, definia a função de cada um no grupo e saía para concretizar a caça. O antropólogo contou que ficava responsável por identificar pegadas de emu na terra - animal que seria o alvo - e avisá-los. Daí, chamava-os quando via marcas da passagem de outro animal. "Eles diziam: agora estamos caçando emus . É preciso manter o foco no que se quer." De acordo com ele, se se perde a meta almejada, desconcentra-se energia e não se atinge o que se deseja. "É importante todo mundo pensar no mesmo bicho", complementou, metaforicamente. A partir daí, é possível planejar as ações a serem feitas em conjunto. Para ir adiante, Marins lembrou, contudo, ser crucial ter motivação e disciplina. "Se perdermos o entusiasmo, que é a crença na capacidade de transformar a realidade apesar das adversidades aparentes, e a paixão do início, perderemos tudo."

Outra questão imprescindível na época atual, que servirá aos engenheiros nesse processo, como apontado pelo palestrante, é manter a unidade em meio à diversidade. "É preciso compreender o poder da união."