Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães

Pinheiro Guimarães propõe
defesa de subsídios nas
negociações internacionais

Como conquistar o almejado desenvolvimento em tempos de intensa globalização econômica foi o tema do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, secretário geral do Ministério das Relações Exteriores. Ele lembrou que o processo histórico de integração de mercados é bem mais antigo do que normalmente se diz, remontando às grandes navegações. "O mundo já foi muito mais globalizado do que é hoje, com mais liberdade de fluxo de pessoas e capitais", ressaltou. No início do século XX, continuou ele, com a Primeira Grande Guerra e a formação da União Soviética, e mais tarde com a divisão da Alemanha, as revoluções chinesa e cubana e as guerras do Vietnã e da Coréia, houve uma fragmentação, com porções do mercado sendo retiradas do sistema financeiro e de comércio global. Nesse período, houve forte planejamento das economias nacionais que, em vários casos, valeram-se de grandes empresas estatais e regulamentação para buscar o desenvolvimento.

Após a queda do muro de Berlim, essa tendência sofreu alteração e passaram a ganhar corações e mentes ao redor do mundo as doutrinas neoliberais, segundo as quais o obstáculo à prosperidade era a regulamentação. Assim, passam a ser pregadas as privatizações, a liberalização de capitais e a desregulamentação. O embaixador lembrou que os países que não aplicaram tal receituário, conhecido como Consenso de Washington, têm sido os mais exitosos em expandir a economia, a exemplo da China. Enquanto os mais fiéis a ele, como a Argentina, enfrentaram crises severas.

Entre as principais pressões sobre as nações, especialmente as da periferia, está a por abertura comercial e contra formas de proteção da economia. Para que as grandes empresas com capacidade de operar de forma tão vasta tenham acesso a todos os consumidores do globo, não pode haver barreiras e aí entram as normas internacionais que podem dificultar políticas públicas de interesse nacional. Guimarães lembrou que, para realizar o seu potencial, o Brasil terá de se valer de ações que gerem emprego, integrando ao mercado produtivo os 50 milhões que vivem com até US$ 1 por dia. "É preciso que se tenha a possibilidade, por exemplo, de dar subsídios à produção agrícola. Não é possível estimular a indústria com tarifa zero nas importações." Portanto, lembrou o embaixador, tais questões devem ser defendidas nas negociações internacionais.