Carlos Lessa

Engenheiros devem transformar
"Cresce Brasil" em movimento
permanente, sugere Lessa

O economista Carlos Lessa, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), propôs dia 14 de setembro que os engenheiros realizem um movimento nacional em favor do desenvolvimento, Falando aos congressistas do VI Conse (Congresso Nacional dos Engenheiros), ele sugeriu que o trabalho desenvolvido pelos engenheiros durante os últimos cinco meses, que resultou no manifesto "Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento", transforme-se num movimento permanente. Assim, as propostas compiladas nesse documento passariam a ser apresentadas e discutidas com os engenheiros de todo o País através de suas entidades representativas.

Questão nuclear que emperra o desenvolvimento com inclusão social planificado no manifesto, conforme lembrou Lessa, é de ordem macroeconômica. "Existem recursos, mas com o volume de juros da dívida pública que o Brasil paga , é impossível implementar o programa que os engenheiros propõem", enfatizou. E sugeriu que, ao entregar o documento aos candidatos a presidente e a governadores, a categoria aponte essa questão e cobre posicionamento dos aspirantes a cargos executivos e legislativos a respeito.

O professor da UFRJ ilustrou claramente a importância de se rever a política econômica para a Nação se desenvolver: "Tudo o que se gasta com o SUS (Sistema Único de Saúde) corresponde a um mês de pagamento com juros ( R$ 160 bilhões ); com educação, 15 dias; com o Bolsa Família, dez dias". Esse último programa beneficiará, segundo informou, "11 milhões de famílias até o final do ano". Lessa vaticinou: "É preciso reduzir os juros e não se faz isso porque o País abriu mão de sua soberania, está transferindo-a para o capital especulativo. Os investimentos estrangeiros na China são em forças produtivas. Aqui permitem que não-residentes invistam em qualquer coisa, até em dívida pública. É necessário recuperar o espaço monetário como de soberania nacional." Controlar o câmbio para tanto é crucial, destacou ele.

Preservar a democracia

A participação dos movimentos sociais para desenvolver um projeto de País que promova tal mudança, como o "Cresce Brasil", é imprescindível, ponderou Lessa. Esses "têm que ocupar espaços que os mecanismos de representação não estão conseguindo". Nesse contexto, ele enalteceu o trabalho dos engenheiros como precursor de um movimento pela democracia brasileira -que está em crise. "É fundador de uma proposta cultural para colocar o Brasil em pauta."