Darc Antonio Costa
Download: Transportes.pps

Transporte: a grande ausência
da campanha eleitoral

A terceira atividade do VI Conse , na quinta-feira, 14, foi a palestra do consultor de Planejamento e professor do Curso de Estratégia Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Darc Antônio da Luz Costa. Ele apresentou a proposta Cresce Brasil: Transportes e fez questão de esclarecer que o Brasil não tem uma boa matriz logística. "Não precisa ser engenheiro para constatar isso. Todo cidadão consegue enxergar o problema". E criticou a ausência do tema na atual campanha eleitoral brasileira.

O problema, segundo o professor, é histórico e passou pelos ciclos Pau-Brasil, depois do ouro e por fim do café. "Nunca foi pensado numa matriz que articulasse as regiões do País", observa, fato que acabou vocacionando a economia brasileira a ser apenas uma fornecedora de matéria-prima.

Até a década de 30, o Brasil era pensando apenas como um arquipélago, "o transporte se dava basicamente pela via marítima". Com o projeto nacional da era Vargas, montado em cima de três itens principais, industrialização, urbanização e integração, se pensou na integração nacional pela forma aparentemente mais econômica, a rodoviária, que trouxe um sem-fim de problemas. "Nenhum país do mundo, que tem dimensão igual à do Brasil, tem essa base modal (a rodoviária) como central".

O professor da UFRJ não acredita em mudanças a curto prazo já que o Brasil não discute mais planejamento. E provocou: "Você não viu nessa campanha eleitoral, que está acabando, a discussão de política de transporte. O que é um absurdo".

Se não há debate político, tampouco há o técnico. "Eu sinto que a engenharia não reage a isso, prdeu muito o seu papel. O Brasil voltou a ser o país dos bacharéis. Voltamos a um padrão pré-Getúlio Vargas". Darc Costa concordou com o primeiro expositor do VI Conse , o professor da Unicamp Marcio Pochmann : "Estamos parados há 25 anos".

 

OS TRÊS IS

O professor da UFRJ citou os três is que precisam compor o planejamento da infra-estrutura de transportes: indução, para induzir o desenvolvimento; integração, para criar sinergia de oportunidades entre as regiões; e irrigação, para fazer o escoamento de produtos e riquezas. "Na infra-estrutura é a oferta que gera a demanda, e não ao contrário. No sistema capitalista o Estado deve prover a infra-estrutura. Muitos querem acabar com o Estado nacional. Aí vai dar em PCC (sigla utilizada para se referir ao crime organizado, que no dia das mães fez uma série de atentados nas cidades de São Paulo)", concluiu.