Solução para o caos do transporte
urbano custa R$ 14,9 bilhões

Essa foi a proposta apresentada durante o seminário “Sistema viário e transporte intermunicipal”, realizado no auditório do CREA-RJ em 17 de julho. A palestra foi apresentada por Márcio de Queiroz Ribeiro, diretor da Trafecon, consultoria em engenharia de transportes e projetos de infra-estrutura urbana e ex-secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, que fez um diagnóstico da situação do setor no Brasil. Participaram como debatedores: Luís Antônio Cosenza, diretor técnico CBTU; Rogério Lavra, coordenador de planejamento operacional da Supervias; Afonso Carneiro, diretor institucional do Ministério dos Transportes; e Luiz Cláudio Pereira Leivas, procurador da República. O secretário estadual de Transportes Metropolitano, Jurandir Fernandess, atuou como moderador.

O autor do trabalho destacou que são feitas diariamente 200 milhões de viagens entre municipais e intermunicipais. Dessas, 123 milhões são motorizadas e 77 milhões, a pé, de bicicleta, carroças etc. A frota circulante no Brasil inclui 350 mil ônibus e 27,7 milhões de automóveis e motocicletas. O valor patrimonial desses veículos, incluindo o material rodante metroferroviário, soma R$ 501 bilhões. A infra-estrutura pela qual trafega atinge a cifra de R$ 580 bilhões. Os custos anuais da sociedade em tarifas são da ordem de R$ 47 bilhões e os dispêndios operacionais relativos às frotas particulares e comerciais chegam a R$ 125 bilhões.

Diante desses números, Ribeiro acena com investimentos que podem ser considerados modestos para resolver os problemas que hoje afligem os brasileiros, que incluem falta de transporte, segurança e fluidez viárias. “Isso exige um programa mínimo de investimentos da ordem de R$ 14,9 bilhões, a ser realizado com recursos da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) e de dotações orçamentárias da União, dos estados e dos municípios.” Além de eliminar deseconomias geradas pela ineficiência do transporte e assegurar melhores condições de vida à população, garante o engenheiro, tal projeto pode gerar cerca de 1,8 milhão de empregos diretos e indiretos.

Ainda segundo Ribeiro, as questões mais relevantes do problema concentram-se em 25 aglomerações urbanas envolvendo cerca de 100 municípios, nos quais vivem 61,5 milhões de pessoas ou 41% da população urbana. Essas são as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, as regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Brasília e Cuiabá e mais os aglomerados regionais de Campinas, Belém, Goiânia, Santos, Vitória, São José dos Campos, São Luís, Natal, Maceió, Londrina, Teresina, João Pessoa, Aracaju, Ribeirão Preto, Cuiabá e Florianópolis. Tal característica, afirma ele, exige gestões metropolitanas para essas conurbações.

A palestra sobre transportes foi realizada na tarde do dia 17 de julho. Na parte da manhã ocorreram duas palestras: O presidente do Confea, Marcos Túlio de Mello e o presidente do Crea-RJ, Reynaldo de Barros, falaram sobre "Organização Profissional". E o consultor sindical João Guilherme Vargas Netto discorreu sobre "Política Trabalhista e Sindical".